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*Autor: Aloísio Parreiras
*Historiador e integrante do Movimento de Emaús
*Fonte:
MAB.ORG.BR
Festum Sacratissimi
Corporis Christi
Solenidade de Corpus Christi é a grande Festa pública que a Igreja
dedica ao sacramento da Eucaristia. O dia de Corpus Christi é o
dia em que saímos pelas ruas da cidade em procissão, professando o
culto latrêutico devido ao Santíssimo Sacramento do Altar. A
origem desta Festa está relacionada às revelações que Deus
concedeu à Beata Juliana de Mont Cornillon, nas quais ela viu a
lua, símbolo da Igreja, como um disco luminoso assinalado por uma
mancha escura. Deus lhe revelou que aquela mancha indicava a
ausência, no ciclo litúrgico, de uma Festa pública em honra do
sacramento da Eucaristia, e lhe solicitou que se empenhasse na
missão de cumprir Sua vontade.
Como sabemos, a Igreja dedica duas grandes Festas ao sacramento da
Eucaristia: Quinta-Feira Santa, quando comemoramos a instituição
deste sacramento, e a Solenidade de Corpus Christi, que é sempre
comemorada na primeira quinta-feira após o Domingo da Santíssima
Trindade. Alguém pode se questionar: “por que a Igreja não celebra
a Festa do Corpo de Deus na Quinta-feira Maior, dia da instituição
da Eucaristia?” Porque nesse dia, todo de luto, em que se inicia
sua Paixão, não teria podido celebrar sua alegria de modo
condizente. Impossível lhe é regozijar-se ao meditar na Morte,
pensamento que domina os magnos dias da Semana Santa. A Festa do
Corpo de Deus foi igualmente adiada para depois de Pentecostes,
para que, cheios das graças e do júbilo do Espírito Santo,
pudéssemos celebrar, com toda a pompa, a Festa do Esposo divino
que habita entre nós”. (São Pedro Julião Eymard. “A Divina
Eucaristia”, volume 1). Impulsionados pelo Divino Espírito,
sentimos um imenso prazer em testemunhar que “Ele está no meio de
nós!” Impulsionados pelo Consolador de nossas almas, no dia de
Corpus Christi, retiramos o Senhor Jesus do sacrário para
apresentá-lo ao povo como o Messias prometido, o Salvador vivo e
ressuscitado e o estimado Amigo que nos legou, por meio da
Eucaristia, o Seu próprio Corpo, Sangue, Alma e Divindade.
Impulsionados pelo Doador de graças, louvamos e glorificamos a
Deus por essa dádiva tão extraordinária, que é poder comungar,
salmodiando: “Quem me protege e me ampara é meu Deus; é o Senhor
quem sustenta a minha vida!” (Sl 53,6)
Por ser uma Festa, é comum que tenhamos guardados no coração bons
momentos que vivenciamos nas Solenidades de Corpus Christi. Cada
um de nós pode abrir sua alma e compartilhar os segredos e revelar
as inúmeras graças que alcançou em um dia de Corpus Christi.
Ouçamos as recordações descritas pelo Papa Bento XVI: “Ainda sinto
o aroma dos tapetes de flores e ramos de bétula frescos, os
adornos nas janelas das casas, os cânticos, os estandartes; ainda
ouço os instrumentos de sopro que se atreviam a mais do que eram
capazes; e ouço o ruído dos fogos de artifício com que os rapazes
exprimiam a sua barroca alegria de viver; mas ao mesmo tempo
saudavam a presença de Cristo no povoado como se fosse uma
autoridade vinda da cidade, como a autoridade suprema, como o
Senhor do mundo”. (Citado por Pablo Blanco em “Joseph Ratzinger,
uma biografia”). Inúmeros sacerdotes, abrindo suas almas, podem
testemunhar: Devo minha vocação à Festa de Corpus Christi.
Inúmeros jovens, demonstrando sua alegria, podem expressar: foi
participando da confecção do tapete de Corpus Christi, que eu
aprendi que a Igreja é uma comunidade composta por irmãos que
possuem dons e carismas distintos. Inúmeras graças e inúmeros
encontros que marcaram em definitivo nossas almas, e tudo começou
quando aceitamos o convite do Cristo Eucarístico para participar
da Festa do Corpo de Deus. E nós, o que podemos testemunhar?
A Festa de Corpus Christi é constituída de dois grandes momentos:
a celebração da Santa Missa e a Procissão Eucarística. Como
preparativo para a procissão é ato tradicional se revestirem as
ruas das cidades com os tapetes de Corpus Christi. Nos dois
momentos dessa Festa, nós demonstramos uma imensa alegria; afinal,
estamos vivenciando uma Festa de louvor e de ação de graças.
Estamos professando que o nosso coração é Tabernáculo do Altíssimo
e, graças aos frutos da Eucaristia, somos preservados do pecado,
crescemos na caridade e nos assumimos como Igreja, membros do
Corpo Místico de Cristo. Como filhos da Igreja, na Festa do Corpo
de Deus, “nós levamos Cristo, presente na figura do pão, pelas
estradas da nossa cidade. Nós confiamos estas estradas, estas
casas, a nossa vida cotidiana à Sua bondade. Que as nossas
estradas sejam de Jesus! Que as nossas casas sejam para Ele e com
Ele! A nossa vida de todos os dias estejam penetradas da Sua
presença!” (Papa Bento XVI, Homilia na Solenidade de Corpus
Christi em 26 de maio de 2005).
A Festa de Corpus Christi é a nossa festa! É a Festa dos
adoradores do Cristo Eucarístico! É a Festa máxima dos cristóforos!
É a Festa dos amantes do Augusto Sacramento! É a Festa de todo
aquele que aprendeu a conjugar o verbo eucaristizar! É a Festa de
todo aquele que, por inspiração divina, entendeu que “quem vive
com Jesus em si, de Jesus e por Jesus, é um tabernáculo, um
precioso cibório”. (São Pedro Julião Eymard, Op. cit.). Nesta
Festa, somos os convidados de honra do Altíssimo; então, subamos o
tom e cantemos com o nosso coração: “Senhor, quando te vejo no
sacramento da comunhão, sinto o céu se abrir e uma luz a me
atingir, esfriando a minha cabeça e esquentando o meu coração.
Senhor, graças e louvores sejam dados a todo momento. Quero te
louvar na dor, na alegria e no sofrimento e, se em meio à
tribulação, eu me esquecer de Ti, ilumina as minhas trevas com Tua
luz”. (Música “O sacramento da comunhão” do Diácono Nelsinho
Correia). Vivamos intensamente a Festa de Corpus Christi! Vivamos
intensamente a alegria de poder participar do Corpo e Sangue de
Cristo que se fazem presentes na Eucaristia!

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